Cacoal - Intérpretes de Libras devem ser contratados para trabalharem em hospitais
Segunda, 16 de Abril de 2018 - Atualizado as 07h16min

Após receber uma denúncia da Associação de Pais e Amigos Surdos (Apasa), de que no Complexo Regional Hospitalar de Cacoal (RO), a 480 quilômetros de Porto Velho, não haviam profissionais intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) ajuizou uma ação civil pública a respeito.

Conforme o documento expedido, o Estado de Rondônia deve ter atendimento com tradutores e intérpretes de Libras. De acordo com a diretora do Complexo Hospitalar de Cacoal, Isabel Maria de Lima, a solicitação de contratação já foi repassada para a Secretaria de Estado da Saúde.

Conforme disse a intérprete de Libras que ajudou a equipe do G1 a conversar com o presidente da Apasa em Cacoal, Jadilson Serafim, o MP-RO foi procurado porque todas as vezes que os surdos precisam de atendimento médico, sentem dificuldade no atendimento, pois os profissionais não entendem os sintomas.

 

"Já tivemos surdo que morreu por falta de uma pessoa que entendesse o que ele estava sentindo", desabafa.

 

“Já tivemos surdo que morreu por falta de uma pessoa que entendesse o que ele estava sentindo. A lei diz que temos direito de ter intérprete, acessibilidade. Mas ainda temos muita dificuldade. Vamos nos hospitais e não temos comunicação com o médico”, reclama Jadilson.

Ele conta que para relatar aos enfermeiros e médicos os sintomas que estão sentindo, o surdo que sabe escrever fala por meio da escrita, ou indica através de gestos, mas nem sempre são entendidos.

 

“Já aconteceu de eu ir ao hospital, indicar o meu problema por meio de gestos, e o médico entender outra coisa. Esse problema seria evitado se tivéssemos intérpretes nos hospitais”, acredita.

Diante disso, Jadilson decidiu procurar o MP-RO e expor o problema de falta de comunicação que os surdos enfrentam nos hospitais. “Nos fomos até o MP, explicamos a situação e disse que queríamos igualdade. Essa é uma solicitação para toda a comunidade surda”, explica.

 

Atuação do MP-RO

 

 
Ministério Público de Rondônia, MP-RO, MPRO (Foto: Jonatas Boni/G1)Ministério Público de Rondônia, MP-RO, MPRO (Foto: Jonatas Boni/G1)

Ministério Público de Rondônia, MP-RO, MPRO (Foto: Jonatas Boni/G1)

Diante da denúncia, o MP-RO iniciou uma investigação em junho de 2017 e ajuizou uma ação civil pública cominatória de obrigação de fazer, em que requer que seja determinado ao Estado de Rondônia a implementação, no Hospital Regional de Cacoal e no Hospital de Urgência e Emergência (Heuro), atendimento com tradutores e intérpretes de Libras, em favor de pessoas com deficiência auditiva.

Antes de embarcar no modo extrajudicial, o MP solicitou providências aos dois hospitais, mas todas as tentativas de solucionar o problema foram esgotadas, sem que o serviço fosse efetivamente implantado.

O órgão entende que o deficiente auditivo requer que o serviço de saúde tenha um intérprete em Libras, pois assim garantirá que a atenção à saúde seja realizada integralmente, assegurando um diagnóstico confiável aos pacientes deficientes auditivos. Para que as contratações sejam efetivadas nos dois hospitais, a ação determinou o prazo máximo de 60 dias.

  • Fonte: G1/RO
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