Estudo associa microcefalia a cigarro e álcool
Terça, 10 de Abril de 2018 - Atualizado as 09h40min

Um estudo da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do Maranhão apontou evidências de que a microcefalia já era uma doença em crescimento no Brasil antes do surto do vírus da zika em 2015.

Ao analisar bebês nascidos em Ribeirão Preto (SP) e São Luís (MA) em 2010, os pesquisadores levantaram indícios de que a malformação craniana também está associada a fatores como o consumo de álcool e de cigarro na gravidez, e que parte dos casos pode não ter sido notificada pelas autoridades brasileiras nos últimos anos. “Isso é o principal que podemos discutir daqui pra frente: olhar com mais sensibilidade científica e de curiosidade para perceber que estavam tendo esses problemas e estavam relegados, não estavam tendo importância. Precisou ter um desastre da zika para que se percebesse que se tratava de um grande problema de saúde pública”, afirma Marco Antônio Barbieri, coordenador da pesquisa e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP).

Em nota, o Ministério da Saúde informou que, antes do surto de zika, os registros de microcefalia já eram feitos pelo Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (SINASC), mas que, até 2014, referiam-se apenas a casos graves, diferente do padrão adotado pela pesquisa. “Os autores apresentaram dados de microcefalia em geral, incluindo casos leves e graves, com perímetro cefálico abaixo de -2 desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional e sexo ao nascer. Nesse sentido, é possível supor que as estimativas anteriores de microcefalia estivessem subestimadas, uma vez que não incluíam casos com perímetro cefálico entre -2 e -3 desvios-padrão”, comunicou.

Entre 2000 e 2017, de acordo com dados do Sinasc enviados pelo ministério, foram registrados no país 6.694 bebês nascidos com microcefalia, dos quais 4.224 se concentraram entre 2015 e 2017.

Informações do Sistema de Informações Sobre Mortalidade (Sim) dão conta de que, nos mesmos 18 anos, 1.949 crianças morreram com a malformação, das quais 445 foram entre 2015 e 2017.

  • Fonte: G1
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