ALERTA - Uso excessivo de internet pode causar sérios problemas de saúde
Terça, 21 de Novembro de 2017 - Atualizado as 09h32min

Recentemente a BBC Brasil publicou uma matéria apontando para os registros em consultórios médicos de uma patologia que reflete as consequências do uso exagerado das novas tecnologias de comunicação e informação. A reportagem destaca que o vício em redes digitais sociais chegou aos consultórios médicos e traz relatos de pessoas que estão lutando contra quadros depressivos.

Viagem pelas redes sociais, procrastinação de tarefas e estudos, verificação constante de mensagens de whatsap, ausência de conversas familiares, fixação em curtidas e comentários, debates e postagens diárias, principalmente no facebook, são atitudes que consomem tempo e tem retirado o foco de muitas pessoas do convívio social, profissional e até familiar convencional, além de potencializar a corrida pela busca da ostentação de um “eu”  que muitas vezes não existe.

Para o psicólogo Tácito Pereira, em Rondônia, particularmente em Porto Velho, local onde atua, ainda não recebeu ninguém com a queixa direta do uso abusivo ou da dependência das novas tecnologias ou redes digitais sociais. Tácito diz que essa questão ainda não é algo bem explícito, mas não significa sua ausência. “Acredito que não apareça porque as pessoas ainda não reconhecem isso como um problema, mas a situação pode ser detectada através do comportamento isolado, da depressão, falta de atenção familiar, entre outros casos que chegam ao consultório e o uso excessivo da tecnologia para suprir carências pode ser reflexo destes sofrimentos” – diz Tácito.

Tácito ressalta que as pessoas que possuem o problema de uso excessivo de celular ou redes sociais não percebem o problema, é mais fácil alguém de seu convívio perceber sua ausência. Outras queixas podem ter como pano de fundo a dependência das redes digitais sociais.

Para ele, a pessoa pode não perceber e muitas vezes está na busca do prazer, de melhorar a sua auto-estima ou uma recompensa das situações que não tem no seu cotidiano, ou nas relações interpessoais. “O interessante é que essa busca não tem um fim, as redes sociais suprem temporariamente e são questões transitórias; por não serem permanentes é que fazem a pessoa se perpetuar nesse caminho, uma busca no mundo virtual. Não se trata de proibir o uso. Aliás, as novas tecnologias vieram para facilitar nossas vidas, mas não se pode virar refém delas – finalizou o profissional, alertando que quando detectada a dependência, uma alternativa é a terapia antes que se torne uma situação crônica.

CONDUTA

Para o especialista em Marketing e Mídias Sociais André Luso, existe um estudo americano que retrata a indução da rede digital social na postura do usuário, tendo em vista que a mesma apresenta a você o conteúdo que cada vez mais você procurar. Luso afirma que a rede é um instrumento bom se for usado de forma adequada, as pessoas são muito impulsivas e as vezes compartilham e consomem muitas coisas negativas, e quanto mais fazem, mais recebem. O Facebook, por exemplo, está programado para o que você busca, se você atrair conteúdo motivacional ele vai te mostrar mais assuntos motivacionais; se você buscar violência você vai ter na sua rede mais assuntos sobre violência.

O especialista aconselha que as pessoas tomem atitudes básicas em relação ao uso das mídias sociais, a exemplo de definir o objetivo, administrar o tempo e ter uma postura adequada diante das postagens.

Segundo Luso, o filtro de quem e o que você recebe, ou faz, vai definir suas atitudes na rede, por isso a recomendação para definir um objetivo, sempre com muito cuidado com o que você compartilha no seu perfil.

O segundo passo é você administrar o tempo, ainda que você trabalhe com rede social precisa ter consciência desse limite. Às vezes você fica muito tempo, não agrega valor e não produz conteúdo, então a probabilidade de não trazer resultados positivos é maior.

“Nunca vamos ter nas mídias sociais 100% de segurança. É um  gosto pessoal, o que pode ser entedioso para você pode ser bom para o outro. O nível de segurança vai depender da conduta e podemos ser pegos através de iscas e induções, mensagens; tem que ter muito cuidado com a ferramenta. Mídias são programas, sistemas, o que pode tornar perigoso ou não somos nós mesmos” – disse André.

ESTATÍSTICAS

A dependência tecnológica, que inclui o "uso abusivo" da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

"Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas", relatou a reportagem o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro - com 2 mil entrevistados - mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento vêem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

 

  • Fonte: O Rondoniense
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